Tudo começou com a maionese

Com uns seis anos, eu já vivia na cozinha, queria sempre ajudar. Fazia pão de ló pra rocambole com a minha mãe, enrolava docinhos, descascava batata e abacaxi, escolhia arroz e feijão, moldava empadinha, espremia batata pra purê, amassava e misturava os ingredientes de um patê de presunto que a minha mãe sempre fazia.

Mas eu me senti importantíssima pra valer quando, naquela idade, aprendi a fazer maionese com a minha avó Betty. Fiquei tão maravilhada com a transformação daqueles poucos ingredientes num molho tão cremoso e saboroso que sempre inventava um pretexto pra preparar a receita. Até hoje guardo, com o maior carinho do mundo, o liquidificador Arno de copo de vidro canelado da minha avó.

Quando a gente se acostuma à textura e ao sabor deliciosos da maionese caseira, que não têm nada a ver com os das industrializadas, dá até vontade de passar maionese no pão ou de servir uma colherada com salada, grelhado, rosbife, salmão defumado ou curado.

Receitas relacionadas

A receita é simples, mas é preciso entender alguns princípios e regrinhas pra chegar lá. A maionese é uma emulsão ultra cremosa que se forma quando o óleo, incorporado lenta e constantemente aos outros ingredientes, vai se quebrando em partículas que se juntam aos ovos e ao limão ou vinagre.

Os óleos de milho e girassol dão maioneses de sabor suave, enquanto o azeite de oliva, principalmente o extra virgem ou de gosto mais pronunciado, dá um sabor mais agressivo, por isso eu costumo mesclar, usando 1/4 de azeite de oliva e 3/4 de outro óleo vegetal.

Eu e minha relíquia de família

Eu e minha relíquia de família.

As chances de uma maionese dar errado passam a ser imensas se algum dos ingredientes estiver gelado e outros estiverem em temperatura ambiente. Por isso o ideal é retirar tudo da geladeira pelo menos 30min antes de preparar a receita.

Se a maionese engrossar muito, junte 1 colher (sopa) de água quente e misture; se ela se separar, acrescente 1 colher (chá) de água fria e bata, pode ser que dê para corrigir, mas se o molho continuar separado, passe 1 colher (chá) da maionese desandada pra uma tigelinha e misture 1 colher (chá) de mostarda ligeiramente aquecida, bata até emulsificar, volte para o liquidificador e bata novamente, muitas vezes dá certo.

Outra forma de tentar consertar é colocar outra gema numa tigela e, aos poucos, incorporar a ela a maionese desandada, mexendo sem parar. Se nenhuma das alternativas funcionar, é melhor descartar e recomeçar.

Pra variar, acrescente à receita básica um pouco de ketchup, e você terá uma maionese rosé; junte salsinha, cebolinha ou coentro pra conseguir maionese verde de ervas; ou, no final, adicione lascas de azeitona no liquidificador pra ter uma maionese escura ou esverdeada.

Dá tranquilamente pra preparar maionese na mão, batendo com um batedor de arame com um das mãos enquanto despeja o óleo num fio com a outra, mas o liquidificador é uma mão na roda.

Compartilhe este post

Helozices, Histórias

Você pode gostar

Deixe uma resposta

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>