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Vinho quente com gengibre, canela, cravo, anis e limão

Ana Bacellar

Pelo mundo afora, quando bate o frio, muita gente se aquece com uma caneca de vinho quente. Ele pode ser vinho quente, viño calliente vin chaud ou vin brulé, mulled wine, bisschopswijn, glög e glühwein, nome que os alemães dão à bebida que reina nos tempos frios.

Sempre se fez vinho quente com vinhos de dia a dia, até mesmo daqueles garrafões que às vezes contém vinhos que mais lembram sucos de uva alcoólicos. Também é comum juntar sobras de garrafas, mesmo que variadas, colocar tudo na panela e preparar uma receita. Esse aproveitamento das sobras e uso de vinhos sem grandes sofisticações faz todo sentido, já que a preparação envolve aquecimento por um tempo razoável da bebida e o uso das especiarias e outros aromatizantes alteram consideravelmente as qualidades do vinho utilizado.

Fiz receitas com 3 vinhos básicos e baratos (1 seco e encorpado, 1 seco leve e 1 suave), com 1 mais encorpado e sofisticado e preço médio pra daria algum requinte extra à receita, e na última versão eu aproveitei sobrinhas de umas 6 garrafas que enchiam uma prateleira da geladeira de casa. O x de restinhos das garrafas que enchem as prateleiras da porta da minha geladeira.

As conclusões: use sobras das garrafas, mesmo que sejam vinhos um tanto diferentes, ou compre um vinho seco de mesa daqueles bem acessíveis, e não há sentido em preparar a receita com vinhos mais emocionantes e caros.

Depois de experimentar versões deliciosas e sofríveis de vinho quente e de tentar decifrar as receitas que achei por aí.

Resumindo, percebi que uns começam fazendo uma calda com água, açúcar e aromatizantes, juntam o vinho quando ela encorpa e mantém no fogo mais um tanto, e outros simplesmente colocam tudo numa panela e fogo. Fiz dos dois jeitos, comparei sentindo o perfume de um e do outro, depois dando golinhos de cada e, pra minha surpresa, achei que a receita só de misturar e aquecer ficou, não devendo nadinha de nadinha à receita da calda.

Mas há um pulo do gato que é realmente o x da questão. Quando o vinho ferve pra valer e continua no fogo por um tempo, o álcool todo vai some e sobra uma bebida adocicada, perfumada, com sabor de vinho, gostosa, mas sem álcool. Pra manter um tanto do álcool e, portanto, continuar a ser um vinho bem aromático e quente, como diz o nome, o segredo é não deixar levantar fervura. Quer dizer, há que se diminuir o fogo logo que surgirem bolhinhas nas laterais e manter no fogo por mais 10 minutos, mas sem deixar que ferver.

Quanto aos ingredientes, além da água e do vinho, que normalmente é tinto, mas também acontece de ser branco, açúcar e, pra dar sabor e perfumar, as receitas tradicionais levam canela, cravo, noz-moscada, anis, erva-doce, gengibre, limão ou laranja. O açúcar pode ser branco refinado ou cristal, mas o vinho quente fica ainda melhor com o demerara, o cristal dourado, ou mel. Também dá pra criar vinhos quentes diferentes usando outros aromatizantes, só experimentar.

Pra finalizar, não faltam receitas européias com frutas vermelhas, uva-passa, pêssego e rodelas de cítricos e, nas Serras Gaúcha e Catarinense, além dos super clássicos cubinhos de maçã, há quem coloque nas canecas uns pedaços de abacaxi e gomos de laranja.

Quem não resiste ao aroma do vinho quente invadindo a casa, mas não toma um gole sequer porque a bebida tem álcool, pode preparar a receita com suco de uva (nesse caso, vale acrescentar raspas de limão pra ressaltar a acidez).

Ingredientes

  • 750 ml de vinho tinto seco de mesa
  • 1 xícara (chá) de água (240 ml)
  • ¾ de xícara (chá) de açúcar demerara (cristal dourado - 125 g, ou use açúcar comum)
  • 1 pedaço de 3 cm de gengibre dividido em rodelas
  • 1 pedaço de uns 3 cm de canela em pó
  • 4 cravos
  • 1 estrela de anis
  • 1 tira larga de casca de limão (tahiti, cravo ou siciliano, sem a parte branca)
  • 2 maçãs com casca em cubinhos (pode ser 1 vermelha e 1 verde)

Preparo

Numa panela média, misture o vinho, a água, o açúcar, o gengibre, a canela, o cravo, o anis, a casca do limão só até dissolver e aqueça.

Deixe em fogo alto só até levantar fervura, imediatamente diminua o fogo pro mínimo possível pra evitar as borbulhas intensas e mantenha dessa forma por uns 10min, até conseguir um vinho saboroso, muito perfumado e mantendo as propriedades do álcool.

Junte os cubinhos de maçã, aguarde mais 2 a 3min, só até a maçã aquecer, mas sem perder o frescor, retire do fogo e sirva em canecas ou xícaras.

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