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Torta de pecãs

Ana Bacellar

Quando a Virgínia, da Albornoz, chegou em casa com pecãs fresquíssimas, recém-colhidas, eu fiquei encantada, comi um tanto na hora, mas parei porque queria cozinhar com elas. Reservei um tanto pro bolo macio de pecãs e imaginei que o restante viraria recheio de torta. Revirei a minha biblioteca, pesquisei bastante, rodei, rodei e, por mais que tenha tido vontade de preparar algo mais diferente, a vontade de comer uma torta clássica de pecãs falou mais alto.

Fui, então, ler mais um tanto sobre uma das receitas mais tradicionais americanas. Como as pecãs já eram consumidas pelos povos indígenas da América do Norte e logo conquistaram os colonizadores e quem mais chegou por lá, as receitas com pecãs fazem parte de todo jantar de Ação de Graças, assim como de ocasiões especiais. Na verdade, à mesa de todo jantar de Thanksgiving há abóbora, pecã, peru, batata-doce e milho.

As referências às tortas de pecãs são antigas, há receitas de meados do século XIX e o incrível é perceber que pouca coisa mudou. Na verdade, a única mudança está na substituição do melaço de cana pela glicose de milho, o Karo. As receitas clássicas pedem açúcar mascavo e melaço de cana, que tem sabor mais intenso, e as mais recentes e hoje mais populares levam açúcar comum ou mascavo e o Karo. As duas versões são deliciosas, mas como eu adoro o gosto da cana de açúcar, fico com a tradicional, que se parece muito com uma torta que comi quando visitei uma fazenda de algodão bem tipo “E o vento levou” à beira do Mississipi, ao lado de New Orleans.

Nuns livros de escolas dominicais de igrejas do sul dos Estados Unidos, onde a torta de pecãs reina absoluta, vi a dica do vinagre de maçã que, com o sal, da uma quebrada no recheio bem doce.

Aquecer as pecãs é simples e rápido e faz muita diferença, o sabor e o perfume da torta ficam muito melhores.

A massa leva pouco açúcar, justamente porque o recheio é bem doce, mas é o tradicional e é muito bom, portanto, de vez em quando pode.

Se não tiver pecãs, use nozes comuns.

Ingredientes

Massa

  • 1 e ¼ de xícara (chá) de farinha de trigo (150 g)
  • 1 colher (sopa) de açúcar (15 g)
  • 1 pitada de sal
  • 100 g de manteiga gelada em cubinhos
  • 1 ovo
  • 1 colher (chá) de essência de baunilha
  • Farinha de trigo pra polvilhar

Recheio

  • 1 e 1/2 xícara (chá) de nozes pecãs (360 g)
  • 2 ovos
  • ½ xícara (chá) de açúcar mascavo (100 g)
  • ½ xícara (chá) de melaço de cana ou glicose de milho (karo) – (160 ml)
  • 25 g de manteiga em temperatura ambiente
  • ¼ de xícara (chá) de creme de leite fresco (60 ml)
  • 1 colher (chá) de vinagre de maçã
  • ½ colher (chá) de sal
  • 1 colher (chá) de baunilha

Preparo

Massa – misture numa tigela a farinha, o açúcar, o sal e a manteiga e esfarele com a ponta dos dedos até obter uma farofa.

Acrescente o ovo e trabalhe até conseguir uma massa bem macia e que descole das mãos (junte um pouquinho de água se estiver muito seca, ou de farinha se estiver pegajosa).

Embrulhe em filme plástico e leve à geladeira por 30min.

Com um rolo e sobre uma superfície polvilhada com farinha, abra a massa até formar um disco, quadrado ou retângulo grande o bastante para forrar uma fôrma pra torta média, de 20 a 22 cm de diâmetro e leve à geladeira por 15min, enquanto o forno aquece a 180ºC (médio-alto).

Recheio – comece aquecendo as nozes numa frigideira vazia por uns 2min, apenas até perfumar (isso faz toda a diferença!!).

Pique grosseiramente metade das pecãs e reserve o restante.

Numa tigela, misture as pecãs picadas, os ovos, o açúcar mascavo, o melaço, a manteiga, o creme de leite, o vinagre, o sal e a baunilha até conseguir um creme viscoso e homogêneo.

Despeje a mistura na base da torta e espalhe por cima metades das pecãs.

Asse a torta por 45 a 50min, até que a massa esteja dourada e crocante o e o creme esteja firme e também dourado.

Retire a torta do forno e deixe descansar em temperatura ambiente por pelo menos 3h antes de servir.

Sirva em temperatura ambiente com creme de leite espesso ou batido em chantilly, iogurte ou sorvete.

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