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Strawberry fields pie – Torta inglesa de morango

John, Paul, George e Ringo, essa torta é pra vocês! É o meu presentinho de 50 anos por “Strawberry Fields Forever”, que seria “Sgt. Pepper”, mas acabou virando compacto com “Penny Lane”, e por todo o “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Tudo aconteceu muito junto e misturado mesmo.

O que seria de mim sem a minha primeira cup do dia, no meu caso o primeiro da série de uns 12 cafezinhos diários, não fosse ouvindo “A Day in the Life” pra dar energia? Meu ITunes, até 20 de julho, marcava como tocada 303 vezes.

Mas também adoro sonhar com “Penny Lane” (Ana e eu acho que conhecemos cada cantinho dos dois ou três quarteirões); “Lucy the Sky with Diamonds” e muitas tangerinas; “Strawberry Fields Forever“, John de alma, profunda, pra imaginar o que há do outro lado do portão vermelho de Strawberry Field (isso mesmo, o John escreveu “fields”, mas o antigo orfanato era em Field), que é parada obrigatória nas idas minha e da Ana a Liverpool.

Não podem faltar “She’s Leaving Home” e “When I’m Sixty-four“, totalmente Paul, pra refletir sobre a vida; “Within you Without You” pra entrar com George no espírito Índia. “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band“, “Fixing a Hole“, “Lovely Rita“, “Good Morning Good Morning“, “With a Little Help from my Friends” e “Getting Better” já são pela irreverência, pra sorrir e alegrar. Adoro, adoro e adoro, aquela coisa de, como se dizia no tempo do vinil, ouvir o disco até furar.

Enfim… Pensei e fui atrás de coisas representativas de 1967 e concluí que, apesar dos morangos estarem só no nome, eles são OS strawberries, são tudo de lindo e de bom, são Liverpool, são Beatles e, portanto, são eu e a Ana e são realmente forever. Por isso uma torta com morangos.

A base crocante é a massa de um shortbread, o clássico biscoito amanteigado bem inglês. Só ela é assada, o restante da receita acontece no fogo e na geladeira.

Sobre a base de biscoito, vem uma camada de morangos frescos, apenas cortados ao meio.

O diferente? A gelatina, ou “jello”, que é anos 1960 total, mas que eu fiz 100% natural, com gosto de morango, cor mais rosada e nada do ultra vermelho de corante. A partir da fruta fresca, extraí um suco e com ele hidratei a gelatina incolor e sem sabor e depois adocei. O doce também não ficou tão doce, nada de disfarces pra acidez dos morangos.

Pra conseguir o “suco de morango” necessário pra gelatina, comecei aquecendo eles numa panelinha pra que soltassem bastante líquido. Só que, na hora de passar pela peneira, os morangos acabaram se desmanchando e o suco ficou turvo. Usei mesmo assim, mas não gostei do resultado.

Decidi cozinhar eles no micro-ondas, só os morangos numa tigela por uns 2min e 30s e deu certo, eles soltaram bastante líquido, passei pela peneira sem espremer (comi os morangos) e usei o suco, ficou perfeito (rendeu ¼ de xícara de suco, o suficiente).

Se quiser brincar de 1967, vale também preparar a pasta de cebola de antigamente (que, na época, virou febre e era feita com sopa de pacotinho), uma bandeja de devilled eggs, ovos cozidos recheados com maionese, legumes ou o que quiser, e um abacaxi espetado com cerejas e cubos de queijo (cheddar inglês é um luxo por aqui, use o que quiser) e um sanduíche de festa, com camadas de recheios variados. Divertidíssimo!

Ingredientes

Massa

  • 150 g de manteiga em temperatura ambiente
  • 1/2 xícara (chá) de açúcar (75 g)
  • 2 pitadas de sal
  • 1 colher (chá) de baunilha
  • 1 e ½ xícaras (chá) de farinha de trigo (aproximadamente 180 g)

Gelatina e cobertura

  • 2 xícaras (chá) de morangos maduros, lavados e cortados ao meio (220 g)
  • 1/3 de xícara (chá) de açúcar (50 g)
  • ¼ de xícara (chá) de água gelada (60 ml)
  • 1 envelope de gelatina incolor e sem sabor (12 g)
  • ¼ de xícara (chá) de água fervente (60 ml)

Preparo

Massa – Comece pela massa, que precisa descansar por uns 30min antes de assar.

Numa tigela, misture com uma espátula a manteiga, o açúcar, o sal e a baunilha até obter um creme, depois junte a farinha e mexa até conseguir uma massa homogênea e que descole das mãos.

Forre com papel manteiga o fundo e as laterais de uma fôrma média, redonda e de fundo removível (uns 20 cm).

Espalhe a massa só na base da fôrma pra obter uma camada de 0,5 cm de espessura (grossinha mesmo) e leve à geladeira pra firmar por 30min.

Quando faltarem uns 10min pra completar o tempo, aqueça o forno a 180ºC (médio-alto).

Asse a base de biscoito por uns 25min, até ficar dourada e crocante. Retire do forno e deixe amornar por uns 5min.

Gelatina – Enquanto isso, coloque metade dos morangos (1 xícara) numa tigela que acomode todos bem juntos e aqueça no micro-ondas por 2 a 3min, até ficarem macios e com bastante suco. Sem espremer, apenas mexendo bem de leve com uma colher, passe por uma peneira, tentando aproveitar todas as gotas do suco vermelho que escorrer (a polpa não entra na receita, pois ela deixa a gelatina turva, o que não é grave, só não fica tão lindo). Misture o açúcar até dissolver e reserve.

Coloque a gelatina numa tigelinha, junte a água gelada e deixe hidratar por uns 2min.

Junte a água fervente, mexa até dissolver completamente, depois acrescente o suco de morango.

Espalhe a 1 xícara de morangos restantes sobre a base de biscoito e espalhe numa camada uniforme. Cubra com a gelatina e movimente a fôrma pra conseguir que ela se espalhe.

Cubra a torta com filme plástico, sem encostar na gelatina, e leve à geladeira de 2h e a 8h pra gelatina firmar e gelar.

Desenforme sobre um prato raso e sirva, se quiser com sorvete, creme de leite batido em chantilly ou espesso.