Adicionar à minha lista

Polenta cremosa rapidinha

Ana Bacellar

Angu no Brasil, polenta na Itália, fubás mais ou menos finos, mas o princípio é o mesmo e resultado é sempre delicioso: uma espécie de purê cremoso com muito gosto de milho e que, dependendo do tamanho da porção e de como é servido, pode ser tanto uma entrada, quanto um acompanhamento ou um prato principal.

Pode ser preparada com água ou caldo leve de carne, galinha ou legumes, que seja caseiro e leve pra não mascarar o gosto do milho. Variações existem, mas o que importa é que o resultado é delicioso. Poucos pratos são tão confortantes e cheios de carinho (eu amo colocar a polenta numa tigela e comer devagar).

Cremosa, como a que vai aqui, a polenta vai bem com tudo, o céu é o limite. Dá pra servir com um molho bolonhesa simplificado ou aquele perfeito e de cozimento longo, como manda o figurino, com carnes vermelhas ensopadas ou assadas, com o bife enrolado delicioso, com o frango assado aberto pelas costas ou com o galeto al primo canto, com o poulet aux olives – frango com azeitonas, com o meu molho de tomate e manjericão de tomates rústicos de forno ou com os legumes caramelizados no forno, duas receitas que eu adoro (as duas com vídeos pelo Youtube), só com queijos, ou manteiga, ou azeite e umas ervas.

No Brasil, o angu por muito tempo cumpriu o papel do arroz branco e sempre combinou com frango assado ou ensopado, com feijão e legumes, com cara mesmo de comida de todo dia. Nas casas italianas, a polenta quente sai da panela e já cai numa tábua gasta e linda e por cima recebe a cobertura que houver por ali, de carne, legumes ou queijo (aqui, também, o céu é o limite). Em Cambará do Sul, comi uma polenta grelhada com queijo também grelhado que era deliciosa e ficava no centro da mesa sobre uma panela de pedra quentíssima.

A receita é simples, linda, gostosa e econômica, pois só leva apenas água (também pode ser um caldo de carne, galinha ou legumes), fubá e sal e ainda é aconchego total.

O método, ultra alternativo, não é muito conhecido, mas vem de longe na minha vida, pois aprendi com uma senhora que foi minha professora de italiano em 1979, eu tinha uns 16 anos. Ela convidou a classe toda pra jantar na casa dela no final do ano e, como cozinhava muito bem, logo começou a dar receitas. Quando ouviu alguém dizendo que adorava polenta, mas que não tinha paciência de ficar mexendo sem parar, disse que a mãe conhecia um método infalível: cozinhava com a panela tampada, misturando só de vez em quando; assim, o vapor não deixava empelotar e nem grudar no fundo da panela. Aquilo me deixou intrigada; testei logo que pude e vi que funcionava. A polenta ficava gostosa, e nunca mais abandonei o método della mia maestra Olga.

Ah, se quiser, troque o fubá amarelo pelo branco, que é delicadíssimo, dá uma polenta aveludada e, ainda por cima, pode ser colorido com vários legumes e acaba se transformando em polentas coloridas lindas de morrer.

Além de tudo, se a polenta cremosa sobrar, basta espalhar num refratário fazendo uma camada de um 3 cm, deixar na geladeira por umas 12h, depois cortar em tiras ou quadrados, fritar no óleo quente pra dourar bem por fora e formar as casquinhas irresistíveis e comer polenta frita. Também dá pra aproveitar as sobras de polenta preparando polenta no forno com ervas e queijo. As duas receitas são muito fáceis, mas têm os seus truques, por isso vale olhar e conferir. E se, no outro dia, quiser comer a polenta ainda cremosa, basta aquecer com um pouco de água e misturar muito bem (mesmo!) até ficar lisa e macia (uso um batedor de arame ou uma colher de pau).

Quanto ao rendimento: como sempre, é difícil estimar, pois depende da função da receita na refeição. Se for prato principal, ela será suficiente pra 4 pessoas e pode ser que ainda sobre um pouco, mas dará pra mais gente se for acompanhamento.

Mais uma coisa: como a polenta junta uma espécie de nata brilhante por cima se ficar parada por minutos, mantenha tudo na panela tampada, que terá vapor, até a hora de servir.

Ingredientes

  • 2L de caldo caseiro de legumes, ou de aves ou de carne ou água
  • 2 xícaras (chá) de fubá (320 g)
  • Sal
  • Manteiga, azeite ou o que quiser pra acompanhar

Preparo

Numa panela grande, aqueça a água, o fubá, sal e mexa sem parar até dissolver e começar a engrossar.

Diminua o fogo, tampe a panela e, de 10 em 10min, destampe, mexa com uma colher de pau, tampe de novo e mantenha no fogo por uns 30min no total. Ao final do tempo, a polenta deverá estar lisa, cremosa, descolando da panela e sem qualquer gosto de fubá cru.

Ajuste o sal, misture manteiga ou azeite se quiser (uns 25g de manteiga ou umas 2 colheres de sopa de azeite) e sirva em seguida com o que preferir (na introdução eu dou algumas ideias).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *