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Pão da roça

Ana Bacellar

Tenho um carinho muito especial pelo “pão da roça” e fico feliz demais quando vejo um cliente do “Lá da Venda” pedir uma fatia com manteiga de lata ou geleia ou comprar um pão inteiro amarrado com um retalho de chita.

Quando eu era criança e passava férias na fazenda dos meus avós José e Betty perto de Araçatuba, a D. Joana, esposa do administrador, sempre preparava esse pão pro lanche.
Quando isso não acontecia, meu avô corria até a padaria da cidade e comprava um pão bem parecido, que a gente chamava de “pão bom” e comia com requeijão, mas o da D. Joana era melhor.

Também era um pão desse jeito que o meu irmão Ricardo e eu comprávamos nas vendas que encontrávamos nas nossas longas cavalgadas pelas estradas de terra de São Luiz do Paraitinga, Lagoinha, Catuçaba e Cunha e comíamos com mortadela, queijo fresco e tomando tubaína.

O pão costuma ser um rolo grande, de casca fina e dourada e miolo claro e macio e fica lindo sobre uma tábua com uma faca de serra ao lado pra cada um cortar a sua fatia, passar manteiga e sair comendo pela casa.

É aquele pão que a gente come no café da manhã, no lanche, acompanhando uma refeição e vai bem com geleia, queijo, requeijão, patê, frios, dá ótimos sanduíches e pede café, chá, leite, chocolate quente ou um suco refrescante. Ele continua perfeito e macio por uns 3 dias, depois começa a secar, mas ainda fica delicioso na torradeira ou dourado na frigideira com manteiga.

A receita dá certinho com manteiga ou óleo, mas a D. Joana usou banha a vida inteira. Sei que, hoje em dia, quase todo mundo prefere usar manteiga ou óleo vegetal, mas por mais que se discuta se a banha é mais ou menos saudável, é inegável que ela dá um pão muito macio.

Muita gente diz que banha “faz mal” porque é “gordura animal”, ou que é “pesada” e “engorda”, ou que nem sempre tem pra vender no supermercado, mas insisto que vale a pena tentar. Eu costumo comprar um pacote de 1 kg de banha, divido em dez partes iguais, congelo em saquinho e retiro do freezer quando preciso, tanto pra fazer pão, como pra preparar carne na lata.

Ingredientes

  • 1 xícara (chá) de mandioca crua, limpa e sem casca (200 g)
  • 1 xícara (chá) do líquido do cozimento da mandioca (240 ml)
  • 1 envelope de fermento biológico seco (10 g)
  • 1/2 xícara (chá) de açúcar (75 g)
  • 1 ovo
  • 50 g de banha ou manteiga em temperatura ambiente
  • 2 colheres (chá) de sal
  • 5 xícaras (chá) de farinha de trigo (aproximadamente 700 g)
  • Manteiga pra untar
  • Farinha de trigo pra polvilhar
  • 1 gema diluída em 1 colher (sopa) de água pra pincelar

Preparo

Cozinhe a mandioca em mais ou menos 1 litro de água até amaciar. Bata a mandioca sem os fios duros com 1 xícara do líquido do cozimento no liquidificador até conseguir um creme liso e coloque numa tigela grande.

Quando amornar, misture o fermento e o açúcar até dissolver, adicione o ovo, a banha e o sal. Aos poucos, acrescente a farinha e trabalhe até conseguir uma massa lisa, muito macia e que descole das mãos e da tigela.

Cubra com um pano limpo e deixe crescer por umas 2h, ou até dobrar de volume.
Transfira a massa para uma superfície ligeiramente polvilhada com farinha (o mínimo possível, pois a massa deverá continuar bem macia).

Separe uma assadeira grande. Divida a massa ao meio, abra cada parte com a palma da mão até conseguir um retângulo de uns 25x20cm, enrole pressionando bem e coloque os rolos de massa na assadeira com o lado da abertura para baixo e deixando um espaço livre entre eles, pois cresce.

Cubra com um pano e deixe repousar por mais ou menos 1h, até dobrar de volume.
Quando faltarem uns 15min pra completar o tempo, aqueça o forno a 180°C (médio-alto). Pincele os pães com a gema.

Leve ao forno, asse por 10min a 180ºC (médio-alto), diminua a temperatura pra 160ºC (médio) e continue assando por mais uns 25min, até que os pães estejam crescidos, firmes e dourados.

Retire do forno, espere amornar e sirva em fatias.

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