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Panquecas chinesas de cebolinha e gergelim

Quando vejo um filme que envolve comida de um jeito sensível, sempre acabo revendo, revendo e imaginando os gostos e os perfumes de cada receita e tentando entender cada uma delas. Há uns 10 anos, peguei numa locadora um filme chinês com selo de “melhor filme do festival de Berlim 2000”, sem nem saber do que se tratava, com uma chinesinha de tranças e o nome “O caminho para casa” na capa.

Assisti em seguida e depois ainda vi mais umas três vezes, encantada com a história delicada de uma moça que vivia numa aldeia no meio do nada e acaba se apaixonando pelo novo professor do povoado. Quando ele chega à aldeia, os homens se unem pra reformar a escola e as mulheres se responsabilizam pelas refeições. Cada mulher da aldeia fazia uma receita, colocava numa tigela e levava pra mesa comunitária e, na hora da refeição, cada homem ia até lá e escolhia uma delas sem saber quem havia preparado o prato.

Só que a chinesinha Di, querendo se aproximar do professor, decide usar a tigela mais linda da casa e preparar uma receita mais gostosa que a outra, sempre na esperança de que ele escolhesse a sua.

Numa das marmitas, ela coloca as cong you bing, umas panquecas crocantes com cebolinha e gergelim, sobre um ensopado e fiquei com água na boca só de olhar. Desci das estantes os meus livros de cozinha chinesa e achei várias versões da receita, que é clássica, e fui pro quintal colher cebolinha.

Acho que nunca passou pela cabeça do diretor do filme que alguém, do outro lado do mundo, pudesse se apaixonar pelas marmitas da Di e testar 10 receitas de cong you bing num mesmo dia, ainda mais que esse não era o assunto principal do filme.

Eu tinha uns parâmetros porque já havia comido umas panquecas de cebolinha num restaurante chinês em Los Angeles, mas confesso que fiquei confusa com panquecas mais e menos crocantes, com mais ou menos cebolinha e com e sem gergelim, as receitas variavam bastante. Dei umas misturadinhas e fiquei com umas panquecas deliciosas e crocantes, que me acompanharam por uns anos.

Um dia, do nada, eu resolvi aprimorar a receita, voltei a procurar e achei umas con you bing ainda mais crocantes, quase folhadas, que pediam pra abrir a massa até ficar quase transparente, pincelar com óleo de gergelim, polvilhar com gergelim, salpicar com bastante cebolinha, então enrolar como rocambole, dividir em quatro cilindros, moldar quatro caracóis e, com um rolo, abrir cada com um rolo até ficar com mais ou menos 0,5 cm de espessura e fritar num pouco de óleo pra dourar bem. Quando dei a primeira mordida e senti todo o crocante e o sabor intenso do gergelim com a cebolinha, tive certeza de que era essa a panqueca da marmita da Di, que finalmente conquistou o seu professor (o restante eu não posso contar).

A panqueca acompanha incrivelmente bem as receitas orientais com molhos encorpados, como no filme, mas é deliciosa com um molhinho leve e picante.

É um petisco e tanto! Só de escrever, já me deu vontade de assistir ao filme de novo, só que comendo cong you bing.

Ingredientes

Massa

  • 2 e ½ xícaras (chá) de farinha de trigo (300 g)
  • 2 colheres (chá) de sal
  • 1 e ½ colher (chá) de fermento químico
  • 1 xícara (chá) de água fervente (240 ml)
  • 2 colheres (sopa) de gergelim claro (15 g)
  • ½ xícara (chá) de cebolinha em rodelas finas
  • Óleo vegetal pra fritar

Molho

  • 1/3 de xícara (chá) de shoyu (80 ml)
  • 1 colher (sopa) de açúcar mascavo (15 g)
  • 1 dente de alho bem ralado
  • 1 colher (chá) de gengibre ralado
  • 1 colher (chá) de pimenta seca em flocos, como calabresa
  • 2 colheres (sopa) de vinagre de arroz (30 ml)

Preparo

Numa tigela média, misture a farinha de trigo, o sal, o fermento químico e água fervente. Assim que começar a amornar, comece a trabalhar a massa com as mãos até soltar da tigela.

Então, retire a massa da tigela e comece a sovar a massa sobre uma superfície lisa e trabalhe sem parar por uns 5min, até que ela fique lisinha e macia. No início, ela estará meio enrugada e firme, mas mudará conforme se amassa (se quiser, bata com um gancho na batedeira, mas é simples fazer na mão).

Envolva em filme plástico e deixe repousar por 1h fora da geladeira.

Em seguida, abra a massa com um rolo até conseguir um retângulo de uns 20x40cm.

Pincele toda a superfície com óleo de gergelim e por cima espalhe a cebolinha e o gergelim.

Enrole como rocambole e apertando bem, divida o cilindro em 4 partes e enrole cada um deles como caracol firme. Com o rolo, achate cada caracol e abra até conseguir discos de uns 18 cm de diâmetro e grossinhos, com mais ou menos 0,5cm de espessura. Cubra com filme plástico e deixe descansar por uns 15min.

Enquanto isso, misture numa tigelinha os ingredientes do molho até dissolver e reserve.

Aqueça uma camada de 0,5 cm de óleo numa frigideira grande.

Frite as panquecas, de um lado, e do outro, até ficarem douradas e crocantes.

Seque bem sobre papel toalha e sirva com o molhinho da receita ou algum outro mais agridoce ou só com shoyu ou acompanhando pratos com molhos encorpados.

12 Comentários

  1. 1
  2. 3
  3. 5
  4. 7

    Esse filme é lindo! É sensível e tem em si o prazer de viver, o amor, os sentidos aguçados… A fotografia é maravilhosa, somos convidados a emoções intensas.

  5. 9
  6. 11

    Puxa vida que benção encontrar essa receita aqui. Como um folhado em panqueca em um restaurante chinês que gosto muuuuuuito e tinha tanta vontade de aprender a receita. Suspeitava que era algo simples e realmente é, só há a necessidade de tempo para o preparo, mas vale muito a pena. Quanto ao filme assisti no ano 2000 e nunca mais me esqueci, pois é sensível como os filmes que gosto de ver, lindo demais. Helô, muito sucesso pra você. Bjs

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