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Olho de sogra de antigamente

Docinho de cocada com ameixa

Ana Bacellar olho de sogra de antigamente

Quer aprender como fazer olho de sogra de antigamente? Chegou o dia da receita desse docinho de festa tão querido e aparece sempre nas mesas de aniversário e de casamento, assim como beijinho e cajuzinho. Eu, que adoro coco e ameixa, acho esse docinho delicioso.

Mas por que o « de antigamente» no nome da receita? Simplesmente porque a cocadinha é feita com água, açúcar, gema, coco ralado e gotas de baunilha, como faziam as avós e bisavós, antes do tempo do leite condensado. Minha mãe, que sempre se encarregou dos docinhos das nossas festas de aniversário, fazia olho-de-sogra desse jeito, deixando o leite condensado pros brigadeiros.

Dizem por aí que uma nora, irritada com os eternos palpites da sogra, que vivia de olho em tudo que ela preparava pro filho, teria criado o docinho pra simbolizar a vigilância constante. Pra piorar, ainda falam que o doce que ele chegou a ser conhecido por olho-de-cobra. São histórias e mais histórias, mas mesmo com jeito de olho arregalado, a tal da nora devia achar alguma graça na sogra, pois se assim não fosse ela dificilmente teria escolhido algo gostoso pra receber o nome. É a mesma situação dos muitos doces conventuais portugueses que juntam delícias e nomes cheios de imaginação e de ironia.

O importante é que, dessa possível discordia, alguém colocou uma bolinha de cocada cremosa sobre uma ameixa saborosa e surgiu o olho de sogra de antigamente. O doce da cocada combina com o azedinho da ameixa e as texturas se completam com perfeição, uma bolinha de cocada cremosa e saborosa sobre a ameixa, com aquele azedinho doce delicioso.

Inspirados no sucesso da mistura cocada e fruta seca do olho de sogra e aproveitando as sutilezas do nome, surgiram o olho de sogro e o olho de vizinha. A bolinha de cocada cremosa continua a mesma, só que a ameixa é trocada por damasco no olho do sogro e por tâmara no olho de vizinha.

Criatividade não falta…

O rendimento dos docinhos nunca é exato, depende do tamanho mais ou menos exagerado da colherada da cocada que se pega na hora de fazer a bolinha. Quem gosta de doces grandes acaba caprichando no tanto de cocada e escolhe ameixas graúdas. Quem prefere os miúdos, como eu, enrola pouco mais de ½ colher (chá) de cocada e procura ameixas pequenas. Gosto dos miúdos por dois motivos: pra não ficar enjoativo, um doce não deve precisar mais de duas mordidas pra terminar; sendo pequeno, dá pra comer sem culpa mais um ou mais uns docinhos.

Como o sucesso do olho de sogra depende tanto da cocada, como da ameixa, eu procuro usar coco fresco quando posso e vou atrás de ameixas suculentas. Esse é o mundo ideal, mas na falta do coco fresco eu uso um bom coco seco e, quando a ameixa está mais seca eu hidrato e pronto. Pra hidratar, coloco as ameixas numa tigela, rego com nem ½ xícara de água fervente e deixo repousar por uns 5min, escorro e descarto a água. É importante não ultrapassar esse tempo de repouso, pois o objetivo é apenas deixar a ameixa macia (não se quer ameixa em calda ou purê de ameixa).

A cocada é muito simples de preparar. Primeiro, eu misturo a água e o açúcar numa panela pequena, depois aqueço e deixo ferver por uns 3min, só mesmo pra conseguir uma calda rala, com bolhas que começam a brilhar. Retiro a panela do fogo e deixo amornar por uns 15min pra evitar que as gemas cozinhem e encarocem na calda fervente. Depois desse tempo, junto as gemas e o coco, volto com a panela pro fogo e mexo até o doce encorpar.

O ponto é o mesmo de qualquer docinho de enrolar, como brigadeiro de enrolar, beijinho ou camafeu de nozes (o doce brilha e, quando se inclina a panela, a massa descola do fundo e a gente vê uma nata rendada na base). Quando a cocada chega a esse ponto, eu passo pra um prato fundo untado com manteiga e deixo esfriar por umas 3h pra firmar antes de enrolar (quando quero adiantar a vida, preparo a cocada com até 3 dias de antecedência).

Quando a cocada firma, eu unto as palmas das mãos com um pouquinho de manteiga, pego a porção de massa, enrolo pra conseguir uma bolinha e coloco no meio da ameixa já aberta, mantendo sempre a parte lisa e brilhante da ameixa fica pro lado de fora do doce. Dou uma acertada pra deixar o docinho arredondado e encosto no açúcar cristal só a parte da cocada que fica aparecendo. O açúcar cristal dá brilho e ainda mais textura ao olho de sogra. O doce pronto vai pra forminha de papel e pra mesa.

O doce já modelado e na forminha fica perfeito por até 3 dias num pote fechado, depois disso ele começa a ressecar.

Quando tenho bastante coco e ameixas suculentas em casa, costumo aproveitar os ingredientes e faço 1 ou 2 receitas de olho de sogra pra congelar e consumir em até 3 meses. Pra congelar, basta colocar os docinhos prontos, até mesmo nas formas de papel, num pote bem fechado.

Pra manter os doces perfeitos, nada melados e com as forminhas secas, eu retiro o pote do freezer sem abrir e deixo descongelar naturalmente em temperatura ambiente por umas 6h.

Ingredientes

  • ¼ de xícara de água (60 ml)
  • 1/2 xícara de açúcar (75 g)
  • 3 gemas
  • 1/2 xícara de coco fresco ralado (50 g, mas também pode ser coco seco)
  • ½ colher (chá) de essência de baunilha (veja o nosso post essências incríveis)
  • 24 ameixas secas pequenas sem caroço, as mais macias que conseguir
  • Açúcar cristal pra finalizar (aproximadamente ½ xícara)
  • Manteiga pra untar

Preparo

Numa panela média, misture a água e o açúcar até dissolver.

Aqueça e deixe ferver por uns 3min, até surgirem bolhas grandes e brilhantes.

Retire a panela do fogo e deixe amornar por uns 15min.

Junte as gemas passadas pela peneira, o coco e a baunilha, aqueça de novo e, sempre mexendo, cozinhe em fogo baixo por uns 10min, até a cocada encorpar, brilhar e descolar do fundo da panela, deixando uma nata rendada na base (o mesmo ponto do brigadeiro de enrolar, beijinho e da massa de nozes do camafeu). Tenha cuidado, pois depois de começar a ferver e até chegar ao ponto, o doce espirra pra valer.

Passe a cocada pra um prato untado com manteiga, cubra rente com filme plástico pra evitar que se forme uma película e deixe esfriar por pelo menos 3h, até esfriar, firmar e dar ponto de enrolar (se preferir, prepare a cocada com até 3 dias de antecedência e modele os docinhos sem pressa).

Pra modelar, unte as mãos com um pouco de manteiga e, pra conseguir um doce miúdo e delicado, pegue um pouco mais de ½ colher (chá) de cocada, enrole uma bolinha e transfira pra um prato.

Uma a uma, e com cuidado para não rasgar, prepare as ameixas. Com uma faca pequena, faça um corte raso num dos lados da ameixa e afaste as laterais pra conseguir uma cavidade, como se fosse um barquinho. Coloque as ameixas com o lado cortado pra cima sobre um prato (a parte brilhante da ameixa fica pra fora, é a que vai aparecer).

Coloque uma bolinha de cocada na cavidade de uma ameixa, acerte pra dar o formato arredondado ao olho de sogra e, segurando pela base de ameixa, encoste no açúcar cristal só a parte da cocada que vai aparecer.

Coloque o olho de sogra na forminha de papel e guarde num pote fechado em temperatura ambiente por até 3 dias, depois disso o olho-de-sogra começa a ressecar.

Se quiser, congele os doces já nas forminhas por uns 3 meses e, sem abrir o pote, para não melar, deixe descongelar naturalmente por umas 6h.

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