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Minestrone do meu jeito

Ana Bacellar

Pelo dicionário, minestrone é uma sopa de origem italiana com legumes e, na maior parte das vezes, feijão e, às vezes, também arroz, massa miúda e carne. O fato é que cada casa, família, trattoria ou ristorante tem a sua versão, com mais isso ou aquilo, sem x ou y, pois o caldeirão da sopa aceita um pouco de tudo.

O que não pode faltar? Variedade de legumes, todos cortados de um jeito uniforme, pois só assim cozinham meio que por igual, cada um contribuindo com cor, sabor e textura diferentes. A sopa tem que terminar colorida, com sabores e aromas variados, que continuam com as suas características, mas que também se mesclam e forma um caldo divino.

Além dos legumes aromatizantes clássicos, que são a base de tudo, como cebola, alho, tomate, cenoura, pimentão, salsão e alho-poró, a sopa leva legumes mais pedaçudos e tubérculos, como abobrinha, abóbora, batata, cogumelos, berinjela, vagem, um ou mais feijões ou grãos (podem ser feijões branco e vermelho, grão-de-bico, ervilha, lentilha, arroz e até massas pequenas).

Também entram folhas, como couve, escarola, espinafre e ervas frescas, normalmente salsinha e manjericão.

Há receitas que levam carne bovina ou suína, fresca ou defumada ou como embutido, aves e peixes e camarões.

No prato, um toque de um bom parmesão deixa a refeição perfeita. Aliás, muitas receitas de mammas e nonnas dizem pra colocar um pedaço de casca do queijo pra aromatizar o caldo (lavei bem um pedaço de casca já muito dura, dei uma raspada com a faca pra eliminar um tanto de gordura e possível camada de alguma cera e experimentei, dá sabor mesmo).

Além dos cortes e da variedade, é essencial pensar no cozimento em três etapas. Isso contando que o feijão ou um grão mais firme, como grão-de-bico e ervilha, e carnes de cozimento longo já estarão cozidos (peito de frango, pescados e defumados podem entrar direto na sopa).

A primeira delas é o refogado dos aromatizantes num pouco de azeite, mas que também pode ser na manteiga ou bacon.

A segunda etapa é a do cozimento dos outros legumes e os tubérculos, que quando vão pra panela os grãos cozidos ou ainda crus, mas que são rápidos (como arroz e lentilha) e as carnes já prontas e em lascas, que devem aquecer, mas também levam um tempo pra mesclar sabores. Nessa hora, também entra o líquido, que pode ser a água ou o caldo e a sopa deve cozinhar por pelo menos uns 30min pra que tudo fique macio e forme um caldo grosso (o tempo depende do que se está usando e do tamanho dos pedaços, pode ser até 1h).

A terceira fase é a da entrada das folhas, como couve, espinafre, escarola, que devem ferver só por uns minutos e, por último, as ervas.

Quando uso defumados e embutidos, sempre solto e descarto peles e tripas, corte em rodelas finas ou em pedaços pequenos e afervento numa outra panela com água por uns 5min, só pra retirar o excedente de gordura e ter uma sopa mais leve.

O que deixa um minestrone emocionante é justamente essa super flexibilidade. É divertido pensar em nele com legumes mais coloridos e frescos pro calor, e com mais tubérculos e abóboras pro frio, só usar a imaginação.

Como eu adoro inventar moda e preparar coisas com o que tenho na geladeira e, um dia, tinha uma xícara de feijão de corda cozido, abóbora e batata doce da fazenda, mandioquinha, milho verde, chuchu, vagem daquela mais achatada, abobrinha, inhame, linguiça portuguesa, além de tomate, pimentão, alho, cebola e decidi fazer um minestrone com ingredientes que muitos brasileiros gostam e têm em casa, um minestrone do meu jeito. Não tinha caldo caseiro, por isso usei água, não acrescentei massa, porque a despensa estava vazia e só havia coentro e manjericão nos vasos, nada de salsinha. Não tinha nem parmesão, só restava ralar um pedaço queijo mineiro bem curado.

Fiz, então, um minestrone do meu jeito, com o que havia em casa, e ficou tão bom, mas tão danado de bom, que já virou um clássico da Helô.

As porções são fartas, valem como prato principal, só com pão pra acompanhar.

Ingredientes

  • 1 dente de alho sem casca
  • 1 cebola média (150 g)
  • 1 cenoura pequena (60 g)
  • 3 tomates maduros (225 g)
  • ¼ de pimentão vermelho (50 g)
  • 1 inhame pequeno (200 g)
  • 1 batata doce pequena (150 g)
  • 1 mandioquinha pequena (150 g)
  • 1 chuchu pequeno (130 g)
  • 1 abobrinha bem pequena (100 g)
  • 200 g de abóbora já descascada
  • 50 g de vagem
  • 1 espiga pequena de milho verde (50 g de grãos)
  • 1 xícara (chá) de feijão de corda cozido e escorrido (1/2 xícara ou 60 g de grãos secos e crus)
  • 6 xícaras (chá) de água (1,5 litro)
  • 1 folha de louro
  • 1 linguiça portuguesa (200 g)
  • 2 ramos de manjericão
  • 3 ramos de coentro
  • 1 xícara (chá) de queijo mineiro curado e ralado grosso (100 g)
  • Azeite de oliva
  • Sal

Preparo

Pique o alho miudinho. Corte a cebola, a cenoura, o tomate sem as sementes e o pimentão em cubinhos pequenos e uniformes e coloque numa tigela.

Corte também em cubinhos de tamanhos parecidos o inhame, a batata doce, e a mandioquinha e coloque numa tigela com água pra que eles não escureçam.

Corte da mesma forma o chuchu, a abobrinha e a abóbora e coloque numa outra tigela.

Corte a vagem em rodelas finas e retire os grãos do milho da espiga e coloque na tigela do chuchu.

Aqueça um caldeirão com capacidade pra uns 3 litros com um fio de azeite e junte o alho com a cebola, a cenoura, o tomate e o pimentão e um pouco de sal. Espere murchar e perfumar.

Descarte a água da tigela do inhame e coloque os tubérculos no caldeirão. Junte os outros vegetais, o feijão, a água, o louro e mantenha em fogo alto. Diminua o fogo quando ferver e deixe cozinhar por uns 40min, até que tudo esteja bem macio e tenha se formado um caldo grosso e saboroso.

Enquanto isso, descarte a tripa da linguiça e corte em rodelas bem finas. Aqueça umas 2 xícaras de água numa panela, junte a linguiça e deixe ferver por uns 3min, apenas pra amaciar e descartar o excedente de gordura e de sal. Escorra a linguiça e coloque no caldeirão da sopa.

Acerte o sal, junte o coentro e o manjericão picados e sirva bem quente com o queijo.

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