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Ketchup caseiro

Ana Bacellar

Engana-se quem pensa que o ketchup de tomates é o molho vermelho adocicado americano que nasceu e virou moda nas lanchonetes dos anos 1950.

É verdade que, a partir dessa época, o tal molho vermelho que vinha em bisnagas e acompanhava hambúrgueres e sanduíches conquistou os americanos, mas a história dele não começa aí.

Dá pra acreditar que, quase cem anos antes, quer dizer, em 1857, já havia pelo menos uma receita de ketchup de tomates circulando pela Inglaterra e que, naquele período, os ingleses também faziam ketchup de cogumelos?

Receitas não faltam, algumas levam só tomates, sal e açúcar e outras têm listas de ingredientes mais recheadas.

Eu copiei a receita do “ketchup caseiro de tomates” do caderno de receitas da avó do meu marido, que ao lado escreveu “receita inglesa”. A receita me intrigou, pois pedia maçãs e açúcar mascavo e, curiosa como sou, fui conferir se havia mesmo receita inglesa com maçãs e fiquei radiante quando vi que uma receita de quase 150 anos também levava maçãs.

Como eu gosto de testar e de comparar, fui estudar e entrei na cozinha com três receitas, uma só com tomates e as outras duas com tomates e maçãs em diferentes proporções, uma com mais e outra com menos tomates. Fiquei encantada com os resultados com tomates e maçãs, não só pelo sabor delicioso e nada óbvio, como pela textura, pela leveza e perfume.

Dei umas mexidinhas e saiu da panela o ketchup da Helô, que faço há 30 anos!!!

A cor é tão linda e tão verdadeira que até as crianças que experimentaram entenderam que não é o tom do vermelho mais escuro que indica se o ketchup é bom, tanto que adoraram o caseiro mesmo sendo mais pálido.

O divertido é observar as pessoas tentando descobrir o ingrediente misterioso. Cheguei a receber três mensagens de leitores que diziam que leram a receita muitas vezes, até pensaram em preparar, mas que comprar um pote era mais simples e queriam confirmar se valia o esforço.

Eu me lembro, com jeitinho, de responder tentando conquistar mais adeptos ao ketchup de verdade e não é que, tempos depois, dois desses leitores me escreveram contando que fizeram, adoraram os resultados e que aboliram os industrializados das suas vidas. Sinceramente, dá gosto morder um hambúrguer suculento com um pouco desse ketchup e com batatas fritas gordinhas, macias por dentro e crocantes por fora ele é uma perdição.

Que tal, no mesmo clima, preparar a mostarda caseira ao mel e a maionese caseira?

Ingredientes

  • 1 kg de tomate bem maduro, lavado, com casca
  • 2 maçãs ácidas, lavadas, com casca (350 g)
  • ½ xícara (chá) de açúcar mascavo (100 g)
  • 2 colheres (chá) de sal
  • 1 rodela de 0,5 cm de gengibre
  • 1 xícaras (chá) de vinagre de maçã ou de vinho branco (240 ml)

Preparo

Corte os tomates ao meio, descarte as sementes e coloque numa panela média.

Divida as maçãs em 4 partes, conservando os cabinhos e as sementes, e junte ao tomate.

Acrescente o açúcar, o sal, a rodela de gengibre e o vinagre, misture e aqueça.

Quando ferver, abaixe o fogo e, mexendo de vez em quando, cozinhe por umas 2h e 30min, até conseguir uma pasta grossa e encorpada.

Passe o ketchup por uma peneira, espremendo bem, depois transfira para um pote médio bem limpo e seco e que feche bem, deixe esfriar e guarde por até 1 mês na geladeira.

24 Comentários

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      Oi, Elaine! A maçã tem três finalidades: dar uma textura mais cremosa e consistente (só tomate fica mais como purê), doçura suaviza e acidez do tomate e realça o sabor do tomate e sabor do molho. A maçã aparece nas receitas inglesas mais antigas de ketchup e é um ingrediente super importante! bj

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      Oi, Filipe! Coloquei na receita que rende 20 porções pensando que o quanto se come com hamburger ou com as batatas, se você quiser usar mais quantidade de uma vez, como 2 xícaras, a receita dará de 2 a 2 e 1/2 xícaras de molho. Bjs

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      Oi, Victor! Pode sim fazer em vidros de conservas. Se quiser, pode também esterilizar os vidros e seguir as regras de pasteurização (há vários manuais para consulta on-line). Espero ter ajudado! bjs

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