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Figo ramy

Tenho um fraco daqueles por figos e pelas receitas preparadas com eles. Gosto de figos de qualquer jeito, pode ser verde em doces com calda ou cristalizados, maduros in natura, cozidos ou assados, em doces ou salgados, e também adoro os secos.

Quando se pensa em doces de figo em calda, que pode ser farta e úmida ou já cristalizada, o comum é pensar nos figos verdes, mas, ao menos de vez em quando, alguém se lembra da lata redonda e baixinha cheia de figos escuros, brilhantes, envoltos numa calda caramelizada e acomodados bem juntinhos, os figos ramy preparados com a fruta madura.

Eu faço parte desse grupo, assim como o meu marido, pois desde os tempos de criança, nos anos 1960, tínhamos esses figos escuros da CICA como sobremesa de ocasiões especiais. Era um luxo só ter uma lata de figo ramy pra finalizar a refeição.

O tempo passou, a CICA fechou em meados dos anos 1980 e só mesmo uma ou outra doceira do interior e uma ou outra marca de doces, daqueles que aparecem nas prateleiras dos postos de estrada, continuaram a preparar a receita tão diferente e deliciosa. Hoje, o doce continua a ser feito nas festas do figo da região de Valinhos e Jundiaí, mas nunca entendi o motivo pelo qual tão pouca gente faz o doce fora da festa. Ele continua a ser raridade.

Como o meu marido sempre gostou dos figos ramy e vivia me perguntando se eu não poderia fazer em casa, um dia resolvi encarar o assunto. Fui atrás da história do doce, procurei receitas parecidas nos meus livros, estudei receitas francesas de frutas glaceadas, perguntei um monte e comecei a testar.

Depois de vários testes, cheguei a uma receita que realmente dá certo e compensa o tempo que se leva pra poder apreciar o doce pronto.

Os figos devem estar maduros, mas firmes. Os outros ingredientes são básicos, apenas açúcar, limão, cachaça, que ajuda o doce a firmar sem não deixa sabor de bebida, e café, que dá cor e um leve sabor à calda.

Depois do cozimento, os figos ficam macios por dentro e com um jeito de passa brilhante por fora, mas eles secam um pouco mais no forno e ficam com textura ainda mais interessante. Como, depois dessa secagem, eles não absorvem quase mais nada de calda, dá até pra regar com um pouco dela pra ajudar a manter o doce lindo por mais tempo.

Já que é pra fazer uma receita trabalhosa, pois não dá pra negar que ela dá um trabalhinho e leva tempo pra ficar pronta (são uns 2 dias de descanso), melhor mesmo já fazer uma quantidade maior. Eu costumo usar uns 24 figos, normalmente umas 3 caixinhas de 8 figos, mas se na sua casa também amarem os tais figos, aproveite a época da fruta e dobre a receita.
Depois de prontos, os figos duram até 2 semanas na geladeira, mas, em casa, quase sempre acabam antes.

Na hora de servir, acho que fatias de queijo branco ou curado ou requeijão de prato de São Luís do Paraitinga ou colheradas de um verdadeiro requeijão cremoso ou catupiry completam a sobremesa com perfeição.

Ingredientes

  • 24 figos maduros, mas firmes, com casca e cabinho
  • 2 xícaras (chá) de açúcar cristal (300 g)
  • 1 limão
  • 1 xícara (chá) de água (240 ml)
  • 1 colher (sopa) de café pronto (15 g)
  • 2 colheres (sopa) de cachaça (30 ml)

Preparo

Lave os figos com cuidado e esfregando a casca com o lado macio de uma esponja nova pra retirar o pó branco que cobre a fruta.

Seque os figos e, com uma faca pequena, corte apenas as pontas secas dos cabinhos. Com cuidado, faça dois cortes pequenos e rasos em cruz na base de cada figo (cortados, os figos absorvem mais calda, mas se os cortes forem grandes eles abrem e acabam se desmanchando).

Escolha uma panela que acomode os figos em pé, com o cabinho pra cima, bem juntos e, de preferência, numa camada só (até dá pra fazer mais camadas, mas eles ficam melhores quando não empilhados).

Arrume os figos na panela, espalhe por cima o açúcar, o suco do limão e a água, tampe e, sem mexer, aqueça mantendo o fogo bem baixo. Deixe no fogo por 10 a 15min, sempre sem mexer, até ferver e surgir um líquido rosado. Quando isso acontecer, desligue o fogo e, mantendo a panela tampada, deixe descansar por 24h fora da geladeira.

Abra a panela, despeje o café e a cachaça sobre os figos, pois não é pra mexer, tampe de novo, aqueça e deixe ferver por mais 15min.

Desligue o fogo e, mantendo a panela tampada e sem mexer, deixe descansar por mais 24h fora da geladeira.

Volte com a panela pro fogo, só que dessa vez em fogo alto e sem a tampa, mas também sem mexer, e deixe a calda encorpar por uns 10min, até surgirem bolhas grandes e ela cair pesadinha da colher. Nessa hora, os figos deverão estar brilhantes por fora e cozidos por dentro (abra um pra experimentar).

Desligue o fogo e deixe tudo amornar na panela por 30min.

Quando faltarem uns quinze minutos pra completar o tempo, aqueça o forno a 160ºC (médio), ou até uns 120ºC se o seu forno chegar a temperaturas mais baixas. Separe uma assadeira grande e forre com um tapete de silicone (papel manteiga untado até funciona, mas com o tapete a tarefa é mais tranquila).

Com cuidado, retire cada figo da panela, chacoalhe de leve e deixe escorrer todo o excedente de calda e coloque sobre o tapete de silicone.

Leve os figos ao forno por uns 20min para que sequem bem.

Retire do do forno e deixe amornar.

Passe os figos pra uma compoteira e, se gostar de figos mais úmidos, regue com um pouco da calda.

Guarde por até 2 semanas na geladeira.

Sirva os figos com queijo branco fresco ou curado ou com requeijão.

2 Comentários

  1. 1

    Eu adorava os Figos Ramy da Cica, e tenho muita vontade de fazer a receita, no entanto estou diabético, mas adoro doces, quero experimentar fazer esta receita com o adoçante da Linea, será que vai dar certo?

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