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Curau de milho verde da fazenda

Ana Bacellar

Milho verde é tão bom que, no tempo em que as espigas já estão maduras, mas ainda bem macias, é um tal de bolo, curau, pamonha, sopa, creme e ninguém se cansa da milharia toda.

Eu não resisto a um curau com aquele amarelo lindo, perfumado, quente, cremoso e lisinho, mas também gosto dele quando firma e fica de cortar, tanto em temperatura ambiente como gelado, mas desde que não fique pesado e com jeito de pamonha malfeita.

Além de deliciosa, a receita é simples e só leva milho verde, leite, açúcar e canela pra polvilhar o doce pronto.

E como é que o doce engrossa? Só com o puro caldo do milho, que tem amido aos montes (ou pura maisena), e, quando chega ao ponto de fervura, faz o leite engrossar. Simples assim e 100% natural.

Desde pequena, nem sei quantas horas da vida eu passei ralando milho num ralador enorme de lata martelada com prego presa numa moldura de madeira pra que ficasse apoiado numa baciona.

Se o dia era de curau, a gente ralava o milho, passava tudo por uma peneira espremendo bem e cuidando pra aproveitar todo o caldo amarelo que escorria e depois ia pra panela do curau e o bagaço virava bolo. Aí era só levar a panela com o caldo do milho, açúcar e leite, aquecer e mexer com uma colher de pau até engrossar e perder o gosto de milho cru. Então, surgiam duas possibilidades, distribuir e comer o curau quente ou colocar o creme num pirex pra firmar, cortar e comer em temperatura ambiente, mas sempre com uma boa polvilhada de canela.

Com o passar do tempo, quando sentia vontade de comer curau em São Paulo, passei a deixar aquele ralador lindo de lado e a bater o milho com o leite no liquidificador. É claro que o preparo no ralador era divertido, envolvia mais gente e tinha aquele charme único de vida no campo, mas como a tarefa leva tempo, as cozinhas das casas das cidades não costumam ter tanto espaço e o milho ralado espirra pra todos os lados fazendo uma lambança, a praticidade e a rapidez do liquidificador acabam falando mais alto. O ralador tão querido hoje enfeita a minha cozinha.

Um curau começa com milho fresquíssimo e suculento vindo direto do milharal ou mesmo da feira, do sacolão, mercado ou supermercado, portanto, vá atrás desse milho ainda na espiga e com as folhas guardam os que mantém os grãos tenros.

Sobre milho em conserva: até dá pra usar os grãos escorridos do líquido, mas é bom lembrar de acrescentar um pouquinho de maisena dissolvida no leite pra engrossar o creme, pois quando a conserva é preparada há transformações no grão e no amido e as coisas passam a acontecer de maneiras diferentes.

Ingredientes

  • 2 e 1/2 xícaras (chá) de milho verde (os grãos de umas 3 espigas grandes)
  • 1 e ½ xícara (chá) de leite (360 ml)
  • ½ xícara (chá) de açúcar (ou a gosto, 75 g)
  • Canela em pó pra polvilhar

Preparo

Bata o milho e o leite no liquidificador até obter um creme liso.

Passe por uma peneira fina espremendo bem e deixando o creme cair numa panela média (nessa receita o bagaço não será utilizado; dá pra fazer bolo, mas a receita ficará pra um outro dia). Junte o açúcar e mexa até dissolver.

Aqueça e, sempre mexendo, cozinhe em fogo baixo por uns 10min, até começar a engrossar e a cobrir o dorso da colher (ele firma quando esfria).

Dá pra servir quente, só deixando amornar por uns 15min, ou em temperatura ambiente ou até gelado.

Pra servir em temperatura ambiente, despeje o curau num pirex ou em 6 potinhos e deixe firmar.

Polvilhe com canela na hora de servir.

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