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Como fazer monkey bread

Rosca americana com bolinhas caramelizadas com canela

Ana Bacellar Como fazer monkey bread

Hoje é dia de ensinar como fazer monkey bread, uma rosca americana com bolinhas caramelizadas com canela que é deliciosa e diferente.

Por aqui, traduzido ao pé da letra, o monkey bread seria “pão macaco”, só que os americanos também conhecem o mesmo pão por pull-apart bread, ou um pão que se solta facilmente em pedaços acaba se desmontando conforme os pedaços se vão.

É uma rosca diferente, que se forma com o empilhamento de bolinhas de massa e não com a massa num pedaço só ou no máximo trançada. Pra montar a rosca, a massa de pão doce é dividida em pedaços miúdos e enrolados como bolinhas. As bolinhas são passadas na manteiga derretida, roladas numa mistura feita com bastante açúcar mascavo e canela e colocadas lado a lado numa fôrma pra pudim untada com manteiga. Quando a massa fermenta, as bolinhas crescem e grudam umas nas outras, mas elas crescem ainda mais no forno e colam pra valer com a mistura de manteiga com o açúcar e canela que envolvem as bolinhas e com a calda de caramelo que vai por cima da rosca antes dela entrar no forno.

Saindo do forno, basta deixar a rosca descansar por uns 5min pra firmar e não se desmontar e, em seguida, pra evitar que o caramelo faça a rosca colar na fôrma, só desenformar a rosca sobre o prato de servir. Nesse momento, a rosca vai ficar com uma muralha circular feita de pedras irregulares.

Mas por que monkey bread? Porque é uma a rosca pra servir de um jeito muito descontraído, cada pessoa puxando bolinhas com a mão e comendo até não querer mais. Tudo acontece se fosse um grupo de macacos atacando e devorando algo delicioso.

Nos Estados Unidos, há muito tempo a rosca faz um sucesso imenso no café-da-manhã e como sobremesa, mas ela não é invenção americana. A rosca, que nos Estados Unidos também é chamada de Hungarian Bread, é uma adaptação do aranygaluska, uma receita de pão doce que foi levada pra lá por imigrantes judeus húngaros. Só que, apesar das duas roscas serem feitas a partir de bolinhas de massa doce, na versão americana as bolinhas de massa se unem por conta do caramelo e formam um bloco firme, na versão tradicional húngara as bolinhas de massa ficam juntas e entremeadas com uma farofa de açúcar e nozes, mas não colam pra valer. Os americanos montam as suas roscas em fôrmas de buraco no centro e depois desenformar, já os húngara montam as suas em refratários ou assadeiras.

Pro monkey bread, a massa costuma ser dividida em bolinhas médias ou pequenas e, pro aranygaluska, em pedaços ainda menores. As características fazem com que o sabor, o aroma e a textura das duas roscas sejam diferentes, mas as duas são deliciosas.

Qualquer hora a gente prepara um aranygaluska, hoje é dia de monkey bread.

A variedade de receitas de monkey bread é grande. Uns passam as bolinhas de massa crua na manteiga derretida e rolam numa mistura de açúcar mascavo e canela, outros preferem usar nessa mistura o açúcar comum e outros, além da canela, usam noz-moscada e cardamomo. Há quem caramelize a fôrma com açúcar, como se fosse pra fazer um pudim e quem regue a rosca pronta com uma calda de caramelo ou um glacê açucarado, como o usado na finalização dos cinnamon rolls – rolinhos caramelizados com canela.

Depois de experimentar bastante, a gente ficou com a mistura de açúcar branco comum e canela pra rolar as bolinhas e descartou as ideias de caramelizar a fôrma e de regar a rosca pronta com calda de caramelo ou glacê. No lugar das caldas, aproveitando a superdica do John Kanell do blog PreppyKitchen, que tem receitas e ideias incríveis, a gente regou a rosca crua no instante de ir ao forno com uma calda de caramelo feita com açúcar mascavo e manteiga. O resultado? Uma rosca gulosíssima pra quando dá aquela vontade irresistível de comer doçuras (e de vez em quando pode).

A massa é praticamente a mesma da rosca doce simples com açúcar cristal por cima e da rosca doce com creme e coco, só tem um tiquinho a menos de açúcar porque a receita já tem um bom tanto de açúcar. A massa é macia, fácil de preparar e pode ser trabalhada com as mãos ou na batedeira. As etapas são as de sempre: preparar a esponja com fermento, leite e um pouco da farinha e do açúcar e deixar descansar um pouco pra iniciar a fermentação; acrescentar o açúcar, o sal, os ovos, a manteiga e mais farinha e trabalhar até conseguir uma massa bem lisa e muito macia; deixar crescer até dobrar de volume; dividir a massa em pedaços, enrolar as bolinhas, rolar na manteiga e depois na mistura de açúcar mascavo com canela; colocar as bolinhas na fôrma untada e deixar crescer de novo; preparar a calda de caramelo, regar tudo com a calda, assar no forno pré-aquecido por mais ou menos meia hora, até crescer e dourar bem.

Quanto ao corte das bolinhas: o processo é muito mais simples do que se pensa, basta polvilhar uma superfície com um pouco de farinha, achatar a massa com as mãos até conseguir um quadrado de mais ou menos 25 cm e, com uma espátula, uma faca ou um cortador de pizza, dividir em 8 tiras num sentido e 8 no outros, rendendo uns 64 pedaços. Não se preocupe com a perfeição dos pedaços, não há problema em ficar com uns maiores e uns menores, é pra ser mais ou menos mesmo.

É importante manter a quantidade de açúcar da mistura usada pra rolar as bolinhas, pois com menos açúcar elas não grudam e a rosca desmorona assim que vai pro prato.

Saindo do forno, é preciso esperar uns 5min antes de desenformar, já que o caramelo precisa de um tempinho pra firmar e manter as bolinhas unidas.

A rosca é maravilhosa tanto quente, como morna, mas perde um pouco do encanto quando esfria e as bolinhas ficam mais firmes e não se soltam com tanta facilidade (mas o sabor e o aroma continuarão deliciosos até no dia seguinte).

Agora que você sabe como fazer monkey bread, mão na massa!

Ingredientes

Massa

  • 1 envelope de fermento biológico seco
  • ½ xícara de leite morno (120 ml)
  • 3 e 1/3 xícaras de farinha de trigo (400 g, aproximadamente)
  • 1/3 de xícara de açúcar (50 g)
  • 2 ovos
  • 1 colher (chá) de sal
  • 50 g de manteiga em temperatura ambiente e bem macia
  • Farinha de trigo pra polvilhar
  • Manteiga pra untar

Finalização das bolinhas

  • 75 g de manteiga
  • 1 e 1/3 de xícara de açúcar (200 g)
  • 1 e ½ colher (chá) de canela em pó

Calda de caramelo

  • 75 g de manteiga em cubos médios
  • 1/2 de xícara de açúcar mascavo (100 g)

Preparo

Numa tigelinha, misture o fermento, o leite, 1/4 de xícara de farinha e 1 colher (sopa) de açúcar e deixe descansar por uns 15min, até espumar bem.

Enquanto isso, coloque na batedeira 2 e ½ xícaras da farinha, o restante do açúcar, os ovos, o sal e a manteiga. Se preferir, coloque tudo numa tigela comum pra preparar a massa com as mãos, apenas o tempo pra sovar a massa será maior, mais ou menos 20min de trabalho na bancada.

Coloque a mistura do fermento na batedeira e, em velocidade baixa e, usando o gancho, bata por uns 2min (a massa ficará firme no começo, depois vai amolecer).

Aumente velocidade pra média e continue batendo por mais uns 10min, juntando farinha aos pouquinhos e sempre o mínimo possível, até a massa ficar bem lisa, macia e descolando totalmente da tigela.

Retire a massa da batedeira e faça uma bola com ela, sempre usando o mínimo possível de farinha pra polvilhar.

Limpe a tigela da batedeira se estiver com massa grudada, polvilhe bem de leve a base com farinha e volte com a massa pra tigela.

Cubra com filme e deixe repousar por umas 2h, ou até dobrar de volume.

Enquanto isso, unte com manteiga uma fôrma média pra pudim e reserve.

Numa tigelinha, derreta a manteiga da finalização e reserve.

Numa tigela média, misture o açúcar branco e a canela, reserve.

Pra modelar, polvilhe levemente uma superfície com farinha (ou use um tapete de silicone, que é ainda melhor) e desvire a massa sobre ela.

Achate a massa com as mãos pra conseguir um quadrado de uns 25 cm (não se importe se ficar irregular, é mais ou menos mesmo).

Com uma espátula, faca de chef grande ou cortador de pizza, corte em 8 tiras na horizontal e 8 na vertical, conseguindo 64 pedacinhos de massa (não se aflija com os tamanhos irregulares.

Role os pedacinhos pra conseguir bolinhas, que não precisam ser perfeitas).

Mergulhe as bolinhas na manteiga, depois role na mistura de açúcar e canela pressionando pra colar e coloque as bolinhas prontas na fôrma.

Quando terminar, cubra com um pano e deixe descansar em temperatura ambiente por mais ou menos 1h, até novamente dobrar de volume.

Quando faltarem uns 15min pra completar o tempo, aqueça o forno a 180ºC (médio).

Coloque a manteiga e o açúcar mascavo da calda numa panelinha, aqueça e espere o açúcar dissolver e a manteiga derreter.

Misture com um batedor até obter um creme liso, espere levantar fervura e retire do fogo.

No instante de levar a fôrma ao forno, regue a massa com a calda de caramelo quente, cuidando pra espalhar de um jeito equilibrado (mas que também não precisa ser perfeito).

Leve ao forno e asse a rosca por uns 30min, até que ela esteja bem crescida e dourada.

Deixe amornar por uns 5min e desenforme sobre o prato de servir.

Sirva a rosca quente ou morna. Em temperatura ambiente, e mesmo no dia seguinte, ela continuará gostosa e perfumada, mas a massa ficará um pouco mais pesada e as bolinhas não se soltarão com tanta facilidade.

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