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Cocada quebra-queixo

Ana Bacellar

“É o quebra-queixo… O quebra-queixo… O quebra-queixo…”.

Pelo Nordeste do Brasil, mas também no Sudeste, é assim que os vendedores de uma cocada muito especial avisam, em alto e bom tom, a sua chegada a quem estiver por perto. Eles perambulam pelas ruas empurrando carrinhos com tabuleiros de alumínio ou madeira cheios de uma cocada dourada escura e caramelizada, doce, mas com um azedinho de limão que faz a diferença. Além desses itinerantes, há os que escolhem pontos fixos em esquinas, praças, mercados, parques, circos e parques de diversões pelo Brasil afora.

Em São Paulo, há alguns clássicos que vendem cocadas excepcionais, como um que fica no Parque da Água Branca e um outro numa esquina do Tatuapé (a minha paixão é tamanha que vivo atrás dos melhores).

O ofício de cocadeiro inclui fazer o doce em casa e sair pra vender, muitas vezes passa de pai pra filho e alguns ganham tanta fama que atraem freguesias imensas, que esvaziam as assadeiras em pouco tempo.

Uns pedem a porção pequena de R$ 1,00, outros querem a mais caprichada de R$ 2,00 e os “formigas gulosos” compram a bem grande de R$ 3,00 e depois tomam vários copos d’água. Feito o pedido, o cocadeiro levanta o plástico que cobre a cocada pra evitar que ela endureça e açucare a superfície e, com uma espátula, raspa uma camada fina da cocada puxa-puxa, coloca a porção num pedaço de papel e entrega ao freguês.

Quando começo a pensar no assunto e sinto aquela vontade de comer um bocado de quebra-queixo, eu vou atrás de um coco e preparo uma receita pequena em casa, o suficiente pra todos comerem um pouquinho, sem exagero mesmo.

Testei muitas receitas, umas pediam montanhas de açúcar ou falavam nos irritantes “açúcar o quanto baste”, “um ou dois cocos frescos ralados” sem se importar que há cocos e cocos e terminavam com aquele “cozinhe até dar o ponto” que também me incomoda. Como é que dá pra saber que ponto é esse, ainda mais numa cocada cheia de segredinhos e etapas que não são complicadas, mas são fundamentais pra o sucesso da receita?

Consegui organizar tudo e chegar a uma receita bem explicadinha e que leva o mínimo possível de açúcar, quer dizer, o essencial pra ter o caramelo que envolve todo o coco e dão à cocada a textura e o caldinho que só o quebra-queixo tem.

Ingredientes

  • 2 e ½ xícaras (chá) de água (360 ml)
  • 2 xícaras (chá) de açúcar (300 g)
  • ¼ de xícara (chá) de suco de limão (60 ml)
  • 2 e ½ xícaras (chá) de coco fresco ralado grosso (250 g)

Preparo

Aqueça 2 xícaras de água e o açúcar numa panela média, misturando só até dissolver. Sem mexer, deixe no fogo até a calda chegar a um caramelo claro e que esteja começando a dourar.

Então, com muito cuidado, pois o caramelo é muito quente e pode causar queimaduras feias, junte o coco e o suco de limão. Sem parar de mexer, espere o coco ficar quase transparente e a cocada ficar bem dourada, quase firmando e se soltando da panela, mas sem escurecer muito pra não amargar.

Quando isso acontecer, sem bobear, pois tudo acontece em segundos, misture a ½ xícara de água restante e mexa por mais uns 2 a 3min, até a cocada amolecer um pouco e ficar mais pastosa. Também imediatamente, despeje a cocada numa fôrma média pra bolo inglês já bem untada com manteiga e alise pra conseguir uma camada uniforme, depois cubra com um plástico (eu uso um saquinho de freezer, que suporta bem o calor) e deixe esfriar por umas 3h em temperatura ambiente mesmo.

Quando quiser servir, retire o plástico, corte uma fatia com uma faca, sem se importar em conseguir uma fatia muito certinha, e sirva num pedaço de papel manteiga ou num pratinho com um garfo.

Cubra de novo com o plástico e só deixe a cocada descoberta enquanto estiver servido. A cocada se mantém perfeita, fora da geladeira, por uns três dias, depois começa a açucarar.

4 Comentários

  1. 1

    Que delícia.faz muitos anos que não como quebra queixo.nao sei se de sua época na minha chamava machadinha era cor de rosa geralmente é era cortada por uma machadinha e tbem era colocada num papel.anos 50/60.depois nunca mais vi.uma pena.doces lembranças.

  2. 2
  3. 3

    Muito legal, comia muito no meu tempo de criança.
    Ainda hoje quando chego nas festas de ruas ( junina ) etc. Não perdi tempo.
    Também quando vou na feira de São Cristóvão. Feira dos nossos nordestinos.
    Deus lhes abençoe e abençoe a todos em nome de Jesus! …

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