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Barreado caseiro

Saindo de Curitiba pela estrada sinuosa da Serra da Graciosa, que é linda e florida demais, chega-se a Morretes e, continuando em frente, a Antonina e a Paranaguá. Em qualquer uma das três cidades, mas principalmente em Morretes, há que se parar pra experimentar o “barreado”, um cozido preparado num caldeirão de barro que, em fogo a lenha baixíssimo, leva 12h pra chegar ao ponto da carne se desmanchar e surgir o caldo saborosíssimo que, com farinha de mandioca fina, forma um pirão.

Pra tudo cozinhar no líquido, que não pode evaporar, a panela deve ser vedada. Hoje, o antigo barro usado na vedação foi substituído por uma mistura de farinha de mandioca e água. Originalmente, o barreado era um prato de festa, feito numa panela só e de forma prática, justamente pra que todos aproveitassem os festejos e se alimentassem sem muito trabalho.

É claro que o barreado legítimo é mais saboroso e tem outro encanto, mas nem sempre é possível ir ao Paraná, poucos têm tanto o fogão a lenha pra conseguir um fogo mínimo e constante por 12h, como panelas grandes e altas de barro, ou de pedra, que abriguem os ingredientes com largueza e conduzam o calor com tranquilidade por tanto tempo (as de ferro, inox e alumínio esquentam demais, tudo cozinha rápido e o resultado nunca é o mesmo).

Quem preenche os tais requisitos pode preparar a receita clássica, montando o barreado como explicado a seguir, vedando a panela com a pasta de mandioca (2 xícaras de farinha pra 1 xícara de água).

Os demais podem matar a vontade preparando na panela de pressão, afinal de contas o método tradicional não passe de uma forma ancestral da mesma. Cozinhando na pressão por umas 3h, com o fogo também baixo, o barreado fica delicioso.

A banana pode ser crua, cozida, assada ou dourada na frigideira com um fio de óleo, eu gosto de assar ou de dourar, acho que o prato ganha muito em sabor e em textura. Pimenta, fresca ou em conserva, não deve faltar à mesa.

Pra conseguir um barreado realmente saboroso, prepare na véspera, guarde na geladeira e aqueça perto da hora de servir. Com o descanso tudo ganha outra dimensão.

Acredite, embora o cozimento seja um tanto longo, mesmo as 3h na panela de pressão, o resultado compensa e o trabalho mesmo é pouco, só picar, colocar na panela e deixar que o fogo faça o seu trabalho.

Ingredientes

  • 250 g de bacon em tirinhas finas
  • 1,2 kg de carne bovina pra ensopados bem limpa e em cubos de uns 2 cm (coxão mole ou duro, acém, patinho ou maminha)
  • 1 colher (chá) de cominho (ou a gosto)
  • 2 folhas de louro
  • 2 cebolas grandes em cubos médios
  • 2 dentes de alho picadinhos
  • 4 tomates maduros sem sementes em cubinhos
  • 1/3 de xícara (chá) de vinagre de vinho branco
  • 2 litros de água (aproximadamente)
  • 1 xícara (chá) de salsinha e cebolinha picadas
  • 1 pimenta vermelha dedo-de-moça ou algumas biquinho picadas (ou a gosto)
  • Sal
  • Pimenta-do-reino

Servir

  • 6 bananas cozidas, assadas, na frigideira ou cruas (da terra, nanica ou prata)
  • 3 xícaras (chá) de farinha de mandioca fina pra o pirão no próprio prato (aproximadamente)
  • Pimenta em conserva ou molho de pimenta

Preparo

Montagem – Numa panela de pressão grande, espalhe metade do bacon e por cima coloque metade da carne, do cominho, sal, 1 folha de louro e metade da cebola, do alho, do tomate e das ervas, depois repita as camadas.

Cozimento – Regue com o vinagre e a água, tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por umas 2h.

Desligue o fogo, espere parar de chiar, abra e verifique se há bastante água, completando se necessário.

Aqueça de novo e cozinhe por mais 1h, até conseguir um caldo muito saboroso e a carne esteja se desmanchando.

Se quiser, prepare até aqui na véspera, guarde na geladeira e deixe pra aquecer perto da hora de servir.

Acerte o sal e passe pra uma sopeira e sirva o barreado com caldo fumegante.

À mesa, cada um coloca umas 3 colheres de farinha de mandioca, 1 concha de caldo e mistura pra fazer o pirão, depois acrescenta mais 1 concha com bastante carne.

Banana e molho de pimenta são indispensáveis.

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