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Argolas crocantes de centeio

Ana Bacellar

Há uns anos, passei uns três dias com o meu marido e as nossas filhas num hotel charmosíssimo perto de Älesund, entre fiordes na Noruega. Era uma casa de madeira escura, de uns 300 anos, sonho. A mesa de madeira do restaurante era linda, tinha uma toalha quadrada de flores bordadas à mão que era maravilhosa.

Mas o chilique eu tive mesmo quando uma moça chegou à mesa com caixa de madeira cheia de argolas pra que a gente pegasse uma ou duas e deixasse no centro da mesa pra cada um quebrar um naco e seguir comendo durante o jantar.

Comi com manteiga e com uma pasta de ricota caseira salgada e com salsinha picada, e era uma delícia tão deliciosa que quase cancelei o pedido do prato pra pedir um pouco de queijo e simplesmente transformar aquilo em refeição, só não abrindo mão da tigela de morangos ultra doces vindos do Ártico, os mais saborosos que comi na vida.

Como sempre, pedi a receita com jeitinho e consegui. Passei a fazer em casa, já preparei as argolas e coloquei duas ou três no lugar de cada convidado e já dei amarradinhos de argolas como lembranças de final de ano.

Use as sementes que gostar e tiver por perto, eu adoro sementes de abóbora e de girassol, linhaças dourada e vermelha e gergelins escuro e claro.

Cortar os discos grandes e depois os do miolo pra conseguir as argolas dá um trabalhinho, mas nada de grave. Mas o resultado vale a pena.

Essas argolas ficam lindas bem grandes, mas nada impede que sejam feitas pequenas, com uns 8 cm de diâmetro (a massa renderá umas 18 argolas). Teoricamente, elas não grudam muito nas assadeiras, mas pra não correr riscos, eu gosto de assar as minhas argolas sobre um tapete de silicone ou de papel manteiga ligeiramente untado com azeite. Não se aflija quando perceber que a argola perfeitinha que acabou de colocar na assadeira deu uma encolhida, é só pressionar com as pontas dos dedos antes de assar. A receita como vai aqui é um clássico escandinavo, comi argolas semelhantes na Suécia (as knäckerbröd) e na Finlândia (as hapanleipä), sempre divinas.

Se quiser uma receita só com trigo, já que centeio nem sempre se acha com facilidade, e estiver com vontade de dar toques mais diferentes aos biscoitos, prepare as argolas crocantes e perfumadas.

Ingredientes

  • 1 xícara (chá) de água morna (240 ml)
  • 1 envelope de fermento biológico seco
  • 1 colher (sopa) de mel ou melaço de cana (25 g)
  • 2 colheres (chá) de sal
  • 1 e 1/3 de xícara de farinha de centeio (135 g)
  • 1 e ½ xícara (chá) de farinha de trigo (aproximadamente 180 g)
  • 1 xícara (chá) de uma mistura de sementes já torradas (abóbora, girassol, gergelim, linhaça e, se quiser, com um tiquinho de alcarávia ou erva-doce)
  • Farinha de centeio pra polvilhar
  • Óleo pra untar

Preparo

Numa tigela grande, misture a água morna, o fermento, o melaço e o sal e mexa até dissolver.

Junte o centeio, as sementes e, aos poucos, acrescente a farinha de trigo e trabalhe até conseguir uma massa macia e que se solte das mãos.

Coloque a massa numa tigela untada com um pouco de óleo, cubra com filme plástico e deixe descansar por umas 2h, até dobrar de volume.

Aqueça o forno a 160ºC (médio-baixo). Forre 2 assadeiras grandes com tapetes de silicone ou papel manteiga ligeiramente untado com óleo (se não tiver 2 assadeiras, ou se forem pequenas, asse em etapas).

Divida a massa em oito partes e faça uma bola com cada uma delas.

Com um rolo e sobre uma superfície polvilhada com centeio, abra cada bola de massa num disco de uns 20 cm de diâmetro e com a espessura de casca de banana (se quiser, deixar o disco perfeito, marque a massa com um prato de sobremesa e corte com a ponta de uma faca).

Corte um disco de uns 4cm de diâmetro e solte pra conseguir os buracos centrais e passe pra uma assadeira.

Junte as sobras de massa e abra e reabra até terminar. Asse as argolas por uns 20 a 30min, até que estejam bem douradas de crocantes.

Sirva as argolas com manteiga e pastas cremosas ou acompanhando sopas e saladas.

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