Meu limão, meu limoeiro – Lemon Tree

Ana Bacellar

Outro dia, falando sobre lembranças dos tempos de criança, vieram memórias de mesa aniversário de 3 anos e do armário cheio de roupas de boneca que a minha mãe costurou, do triciclos de rodas vermelhas e selim branco que ganhei no natal e dos passeios pela calçadinha que circulava a casa em que a gente morava em São Luiz do Paraitinga e, em 1966, da minha irmã e eu dançando, tomando limonada e cantando com o Wilson Simonal “Meu limão, meu limoeiro” e, uns 3 anos depois, já morando em Caçapava, fazendo a mesma coisa, só que com a gravação do Topo Gigio.

Em casa, tenho dois limoeiros, na fazenda tenho alguns e todos são importantes. Adoro limão, adoro limonada e adoro tudo que é preparado com limão.

Limão, limoeiro, pomar, amor pela terra, simplicidade e cinema são coisas que me encantam, e, por tudo isso, amei tanto “Lemon Tree”, um filme de Eran Riklis, que vale a pena assistir.

O longa é triste, mas bonito e cheio de sensibilidade. Na história, o ministro de defesa de Israel e sua mulher passam a morar numa casa que fica na fronteira do país. Bem em frente, numa casa muito simples e cercada por um pomar de limoeiros, vivia sozinha nas terras herdadas do pai, a viúva palestina Salma (a atriz é a Hiam Abbass, que é ótima). Ela adorava aquelas terras, cuidava dos limoeiros com um amor profundo. Dos limões, ela tirava o sustento e deles vinha a sua coragem e a vontade de viver.

Só que a vida dela vira um inferno quando, teoricamente por medida de segurança, o governo de Israel decide destruir o pomar – pois um terrorista poderia se esconder atrás das árvores e atacar a família do ministro. Ela não se conforma nem com a decisão de desocupação das terras, nem com a indenização oferecida e, percebendo que sua vida não teria mais sentido sem seus limoeiros, contrata um advogado e passa a lutar com unhas e dentes pra derrubar o veredito (paro por aqui pro filme não perder a graça).

O filme começa com Salma preparando uma conserva de rodelas de limão, pimenta e azeite, e em muitos momentos, ela prepara limonada. Não consegui parar de pensar na personagem e nos limoeiros, sonhei com a conserva de limão, com a limonada e acordei pensando numa torta de limão.

Não deu outra: saí logo cedo, comprei uma dúzia de limões sicilianos, tomei limonada e preparei e uma torta de limão. No dia seguinte, repeti a dose com o bolo rústico de limão cravo, diferente porque leva azeite de oliva, farinha de rosca e castanha moída, e também enchi um pote com uma receita da conserva marroquina de limão e, passado o mês de repouso, preparei um tagine de frango, limão em conserva e azeitona.

Sempre gostei de qualquer tipo de limão, do galego que é bem pequeno, do cravo (ou caipira, rosada ou capeta) que é laranja por dentro e perfumadíssimo, do tahiti, grande, verde, muito suculento e hoje o mais comum, e do siciliano bem amarelo e com aroma delicioso, de formato lindo com um bico numa das pontas.

Com tanto frescor, acidez que ressalta mil sabores e dá vida a muitos pratos salgados e doces e sabor incrível, não dá nem pra cozinhar e nem pra viver sem limão.

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