Belém é o máximo – Parte 5

Ana Bacellar

Combu
Domingo ensolarado e amigos têm tudo a ver com passar o dia na ilha de Combu, a nem 15 minutos de Belém. Por uns R$ 5,00 por pessoa o barqueiro te leva do portinho de Belém ao destino que cada um indica na ilha. A gente atravessou o Rio Guamá, entrou num furo (caminhos de água que não chega a ser um igarapé e cruza a ilha), viu igarapés e desceu na casa da D.Nena, a “Filha de Combu”.

Eu estava feliz demais em conhecer a D.Nena e os chocolates que ela faz com tanto amor, cuidando dos cacaueiros nativos que se espalham pelo quintal da casa dela, colhendo os frutos, fermentando e secando os grãos, depois torrando no forno comum, do jeito mais simples do mundo, depois moendo e transformando esse cacau num chocolate digno dos deuses.

Eu e a querida D. Nena sob um cacaueiro
Foto: Ana Bacellar

Ela, que conhece a Joanna e toda a família há muito tempo, recebeu a gente com um sorriso lindo e todos foram direto passear pelo quintal, que se confunde com a floresta. De cara, a gente encontra uma samauemeira espetacular, com as raízes enormes que sobem como se fossem paredes.

Reparem no tamanho das raízes da samaumeira atrás de mim e da Ana

Uns metros depois, já começam os pés de cupuaçu, com frutas grandes, quase maduras e os cacaueiros nativos, um mix de algumas variedades.

A árvore que dá cupuaçu é conhecida como cupuaçuzeiro, cupuaçueiro ou cupu
Foto: Ana Bacellar

Em seguida, ela mostrou o espaço usado pra fermentação e secagem e já foi explicar o trabalho maravilhoso que ela lidera e mostrar como descarta a casca grossa e aí tritura os nibs de cacau num moedor de carne caseiro que ela deu umas mexidas pra que desse conta da moagem e chegar à pasta de cacau.

Simplemente amo cacau!
Foto: Ana Bacellar

Depois de experimentar uns pedacinhos da pasta, que ela lindamente embrulha numa folha do cacaueiro e amarra, e de tomar um copinho de chocolate quente. Depois de mais de 1h de conversa, a gente entrou na lojinha com aquele perfume inebriante do chocolate e, como não poderia deixar de ser, comprou vários brigadeiros preparado com a pasta que ela produz e rolado em nibs do seu cacau. Além dos brigadeiros realmente deliciosos e viciantes, também comprei um pacotinho do chocolate na folha e um saco de nibs já pensando na minha versão do brigadeiro de Combu. Saí de lá feliz, sentindo que todos merecem comer bons chocolate, que chocolate é o máximo e tendo certeza de que o chocolate nativo da Amazônia é a perfeição, com nuances de aroma, textura e sabor que só ele tem. O trabalho da D.Nena é de tirar o chapéu.

Quando estava entrando no barco ela me disse que em poucos dias estaria em Fortaleza levando os seus brigadeiros no festival Fartura. Abri um sorriso e contei que também iria ao festival pra dar uma aula, ou seja, eu teria mais brigadeiros e mais chances de papear (e o nosso encontro em Fortaleza foi delicioso).

Vista de Belém
Foto: Ana Bacellar

A parada seguinte do barco foi num dos restaurantes em palafita à beira rio, daqueles que você pode comer, beber e se refrescar no rio. Ana e eu estávamos com a Joanna, o marido, o filho, um sobrinho e a Helena e foi bem divertido. Há vários restaurantes, o mais famoso é o “Saldosa Maloca” (com L mesmo como todo mundo que fala de lá faz questão de ressaltar) e a Joanna adora um outro que fica mais pra dentro da ilha, mas como éramos muitos e já era tarde, fomos pra um que tem vista pra Belém e tem boa comida. O tambaqui na brasa com farofa molhada estava incrível e era tanto peixe que quase sobrou, e olhe que éramos cinco adultos devorando a carne suculenta, saborosa e com perfume de brasa. Deixamos de lado a sobremesa do restaurante e comemos mais brigadeiro da D.Nena da caixa eu tinha comprado.

Em São Paulo, logo abri o pacotes de nibs e fiz o meu brigadeiro com castanhas e nibs de cacau (usei nibs da D.Nena, mas funciona com outros).

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